Por: Editor
A INFLUENCER, O SENADOR E A LEGENDA
Autor: Carlos Barros
Advogado Criminalista
Há fotos que eternizam a história. Outras, apenas instantes. E há aquelas que, mesmo fugazes, capturam muito mais do que rostos — capturam o espírito do tempo.
Foi numa manhã qualquer de CPI que o Senado saiu do modo debate e entrou no modo retrato — ou, para ser mais preciso, no modo selfie.
A convocada era Elisabeth — ou simplesmente Beth. Uma influenciadora de milhões — de reais e seguidores —, cuja vida privada é seu maior produto e que anuncia maquiagens, perfumes e, de uns tempos pra cá, probabilidades.
Isso mesmo: probabilidades.
Quer apostar?
Aliás… melhor não.
Mas o importante mesmo nessa estória — com “e” — é que ninguém apostava na cena que viria a seguir.
Em plena CPI, no coração da República, um senador sacou o celular, repousou um dos braços nos ombros da Beth e, esticando o outro braço até enquadrar seus rostos semi-encostados, eternizou aquele encontro com uma selfie.
Sim: o inquisidor pediu uma selfie com a depoente — e a Beth, com o sorriso pronto desde cedo, apenas conferiu o enquadramento e posou.
Click.
— Que sorte… Só um em um milhão de brasileiros consegue uma dessa! — comemorou o senador com um brado retumbante.
O plenário, mais uma vez, virou cenário.
O país, story.
E o resto, só legenda.